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Por que a mão pode causar
tanto male tanto prejuízo, se mão não pensa?

Então, seu colega do escritório entra feito doido na sala, 5 minutos antes da reunião. Como quase todo dia, ele está atrasado, e a reunião está quase começando e vocês precisariam conversar antes de apresentar o planejamento para o chefe; ele chega, como de hábito, cheio de desculpa, o trânsito, o metrô, a mulher, o café da manhã que atrasou, o filho que acordou tarde etc. etc. etc. Claro que não houve conversa nenhuma.

O desinfeliz não consegue se programar, não consegue se organizar. A reunião é daquele tipo, truncada. Os relatórios até existem, mas são meio incompletos; a redação dos documentos até é escrita na língua portuguesa, mas de uma maneira que só ele consegue entender: redações em que o sujeito está longe do objeto, que não se sabe se é objeto direto ou indireto.

Sujeitinho bem do descanhotado, mas, sabe como é, leitor, assim, empurrando com a barriga a vida vai indo. Barrigudo físico e barrigudo mental – tudo que era para anteontem ficou para depois de amanhã, que é feriado prolongado, que irá coincidir com o início do período de férias do chefe, então, nada do que já está atrasado não pode ficar ainda mais atrasado.

E, você, nosso fiel e inteligente leitor, não entende como essa praga vive. Mas, bem que você está tentando entender, e não é de hoje. É tanta atrapalhação que você se pergunta: será que toda essa atrapalhação é fruto de alguma disfunção neurológica e cognitiva? Porque a coisa toda parece assim tão automática, tão natural (fez até você se lembrar da antiga expressão “da mão para a boca”) que o sujeito até parece um robô de erros. Ou será que o chato está sendo você? Os colegas do escritório até notam, mas, sabe como é, ele ajuda na escola dominical, doa cestas básicas com produtos prestes a vencer, enfim, ele deve ter lá seus méritos, seus pontos positivos, mas mas mas mas …

Diante de tudo isso, nos pusemos a especular que relação haveria entre a mão que faz e o cérebro que pensa. Porque fomos conduzidos a pensar que a mão não faz nada por conta própria, mecânica que é, e que, se está fazendo alguma coisa é porque tem alguém ou algo ou alguma voz de comando dizendo para a mão fazer o que faz do jeito que faz. Então, a mão não seria responsável, por exemplo, por puxar o gatilho de uma arma, se não recebesse uma voz de comando para isso. Nem seria responsável por ter desferido um soco na mesa, como faz habitualmente seu colega traíra do serviço, se não tivesse recebido sinal verde de algo mais articulado e superior. Então, nossos pesquisadores recomendam a você que pense duas vezes antes de meter a mão na cara do duas-caras do seu colega de serviço – a menos haja alguma coisa permitindo que você faça exatamente isso.

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