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Os fatos e os números falarão por si só apenas
quando tiverem voz própria. Enquanto isso, falarão através da única voz que lhes pode dar vida, a do homem

Não é novidade para ninguém que a maior especialidade do ser humano é desviar o rumo do míssil, quando o alvo é ele próprio. Responsabilidade zero. Bastou ele entrar na linha de tiro para dizer não-brinco-mais. Justamente na hora em que chegou a hora de ele, brincando com o amiguinho de fazer aquilo-mesmo-que-você-sabe-o-que-é, dar a sua parte, pronto, ‘minha mãe chamou’ – pode um negócio desses?!

Nossos pesquisadores estavam interessados em saber em que medida essa disposição para não entrar em dividida nem com a própria sombra não seria transmitida para tudo que se relacione com o mundo que ele criou assim à sua imagem e semelhança. Se for assim, ele não precisaria se responsabilizar por nada, porque as coisas teriam vida e existência própria, principalmente e tão-somente as coisas erradas, porque as certas certamente seriam por obra e graça dele – alguma dúvida?

Então, nossos pesquisadores saíram a campo para descobrir onde e como o homem teria sua ausência totalmente presente. Haveria campos da experiência humana em que as coisas falariam por si sós? Excetuando todos aqueles que sim, com nenhuma exceção de nenhum outro, até que não foi difícil os Canis&Circensis destacarem dois: a realidade e a economia financeira. No caso do primeiro caso, a situação é assim: para não pensar nos fatos, esses que falem por si sós, sobretudo quando for para falar bem dele, o homem-fugitivo-si-próprio. No caso do segundo caso, fala a verdade, leitor, é uma mão na roda existir algo, alguma coisa que, além de falar por conta própria, dispensando o homem-ausente-de-si de ter que se responsabilizar por isso, que essa coisa tenha assim uma aura entre mística e prática – o que você acha dos números?

O que nossos pesquisadores não sabem é como esses números poderiam falar sem ter que recorrer a voz que dá vida a tudo, a do homem afônico e mudo?

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